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Vacinar-se nem sempre é sinônimo de não contrair Covid-19
Vacinar-se nem sempre é sinônimo de não contrair Covid-19

Em sua nova cepa, SARS Cov-2 pode ser ainda mais contagioso e médica sanitarista esclarece detalhes

Mesmo diante do agravamento da pandemia do novo coronavírus, é muito comum encontrar pessoas que, ao falarem ao telefone ou mesmo pessoalmente, retiram a máscara, para serem melhor entendidas.
Outras, ao fazerem isso, afirmam que já tomaram a vacina – como se acreditassem que, por terem sido imunizadas, estão isentas de contrair a doença e não precisam mais de máscaras, higienização com álcool em gel 70% e outros cuidados, tão importantes para evitar o contágio da doença.
A médica sanitarista, Dra. Marta Salomão, contudo, esclarece acerca dos riscos deste comportamento, além de falar sobre a nova cepa, mais perigosa ainda, entre outras questões.
A médica esclarece que o nome correto do vírus é SARS Cov- 2 e este possui várias cepas por mutações.
“As mais importantes são a inglesa, a sul africana e a de Manaus”, destaca.
Confira o pingue-pongue abaixo e tome cuidado redobrado.
1)    É fato que, diante dessa nova cepa, de Manaus (AM), mesmo vacinadas, as pessoas não estão 100% seguras? Por que?
(Dra. Marta  Salomão) --
As pessoas vacinadas, com as duas doses das vacinas podem ter a Covid-19 pois na fase 3 de pesquisa das vacinas existentes foi comprovado que elas evitam doentes graves e mortes, mas pode ocorrer casos leves e assintomáticos. Assim as pessoas vacinadas podem adoecer e transmitir a doença para seus familiares e     outras pessoas. Por isso a orientação é que mesmo os vacinados fiquem em casa, se puderem, ou usem máscaras quando saírem às ruas. Quanto à cepa de Manaus, em estudos preliminares foi demonstrado que as vacinas protegem também contra casos graves e mortes.
2)    Em São João da Boa Vista, já existem registros dessa nova cepa?
(Dra. Marta  Salomão) -
- O laboratório responsável pela confirmação da cepa de Manaus é o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Até o momento, não tenho informação de que amostras de nossa cidade tenham sido analisadas por genotipagem. São João, no início da pandemia, quando o Lutz estava com dificuldades em realizar rapidamente os exames, por falta de insumos, decidiu contratar o laboratório da USP em Pirassununga, que foi credenciado para realizar exames PCR para Covid-19 e o qual deveria encaminhar amostras positivas e negativas para o Lutz. Mas não sei se está enviando.
Acredito que a cepa de Manaus deva estar circulando em nossa cidade, pelo crescimento da transmissão em São João e seria importante a confirmação, para que a população soubesse da importância do distanciamento e do uso de máscaras.
3)    Além de se vacinar, quais as outras medidas de proteção contra essa nova cepa? E um lockdown, ainda que não seja o desejado pela população, ajudaria a combater esse problema de saúde pública?
(Dra. Marta Salomão) --
Hoje, com o número pequeno de vacinas disponíveis, a melhor proteção é o distanciamento social, o uso de máscaras e os cuidados com as mãos. Iremos caminhar para o lockdown se a população não cooperar e se não existir fiscalização de festas, aglomerações em bares etc.
4)    Na sua visão profissional, de quem está em contato direto com o assunto, inclusive pelo Instituto Adolfo Lutz, existe alguma vacina ‘melhor’ que outra ou mais indicada para um perfil de pessoa?  
(Dra. Marta Salomão) --
As vacinas usadas no Brasil são eficazes e devem ser tomadas por todos que tiverem acesso a qualquer uma delas, pois foram testadas e aprovadas pela Anvisa. O grande problema, a meu ver, é que a vacinação no Brasil poderia já ter sido aplicadas nos idosos e pessoas com comorbidades, mas o Governo Federal não adquiriu vacinas no meio do ano passado. Se adquirir vacinas agora, ficaremos muito tempo com alta transmissão, que favorece o aparecimento de novas cepas que poderão ser mais transmissíveis.  Até o momento não temos tratamentos que previnem a Covid-19. O que está comprovado é que a doença pode atingir vários órgãos, como pulmão, coração, cérebro, rins  etc e deve ser tratada conforme o problema detectado. A cloroquina, ivermectina não são recomendadas pela OMS e pelas Sociedades de Infectologia e de Pneumologia. Trump que defendia a cloroquina e influenciou o Governo Federal percebeu o erro que estava cometendo e comprou vacinas. Biden continuou comprando e vão vacinar sua população no primeiro semestre. Vacina já para todos!

*Marta Salomão é médica sanitarista formada pela Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu, e possui especialização em Saúde Pública pela USP. Já atuou como Diretora do Departamento Municipal de Saúde (primeira gestão do Prefeito Laerte de Lima Teixeira) e Diretora Regional de Saúde em São João da Boa Vista e Campinas. Também foi Superintendente da Sucen e Diretora do IAL. Atualmente é aposentada.